Indústria bate recorde na produção de pneus em 2013

O setor está presente no mercado local há 80 anos e nunca produziu tantos pneus, bem como nunca coletou e destinou de forma correta tantos pneus considerados inservíveis.

68,8 milhões de pneus produzidos, 72,6 milhões de pneus vendidos, 1.773 novos empregos gerados e 404 mil toneladas de pneus coletados e reciclados. Esses são os principais números apresentados pela indústria brasileira de pneus que em 2013 obteve um de seus melhores anos no Brasil. O setor está presente no mercado local há 80 anos e nunca produziu tantos pneus, bem como nunca coletou e destinou de forma correta tantos pneus considerados inservíveis.

Outros números superlativos que ressaltam a importância do segmento é o volume de investimentos programados entre 2007 e 2015, da ordem de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 7,3 bilhões já realizados – e cerca de R$ 1 bilhão programados ao ano, até a ocorrência de reavaliações.

"A indústria de pneus estabelecida no Brasil é tecnologicamente muito avançada e vem investindo continuamente para acompanhar o desenvolvimento da indústria de veículos e continuará a fazer investimentos nos próximos anos para atender ao projeto Inovar Auto", destaca em nota o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), Jean-Philippe Ollier.

Segundo Ollier, essas recursos acompanham a evolução mundial do setor e a motorização crescente do País, mas também leva em conta a implantação do processo de etiquetagem de pneus, prevista para 2017.

Apesar dos números superlativos, Ollier destaca que os investimentos da indústria podem ser ainda maiores se o governo auxiliar no aumento da competitividade. Entre os desafios a serem enfrentados para elevar a competitividade do setor, Ollier destaca o Custo Brasil, a redução de alíquotas de insumos e maior oferta de matérias-primas, a desoneração da reciclagem de pneus, a continuidade da desoneração da folha de pagamentos e a volta do programa Reintegra (que permite benefícios tributários na exportação).

"Temos custos maiores no Brasil do que em vários outros países, devido aos aspectos burocráticos, tributários, logísticos e legais, o que transformou a balança comercial positiva até 2010 num déficit recorde em 2013, de US$355 milhões",  aponta o executivo ao destacar que a ANIP e a indústria não é contra as importações, por exemplo.

"Não somos contra importações, mas temos buscado defender a produção local da concorrência desleal com ações antidumping e de defesa comercial. Também temos atuado junto ao governo para ampliar a fiscalização de modo a evitar importações irregulares ou de produtos em desconformidade com a legislação e as normas de qualidade e segurança. Outro aspecto em que temos insistido é que os importadores cumpram, como nós, a regulamentação sobre o recolhimento e destinação de pneus inservíveis", diz.

Em relação à coleta e destinação ambientalmente correta o presidente executivo da ANIP, Alberto Mayer apresentou o melhor resultado já registrado pela Reciclanip, o braço de sustentabilidade da ANIP, desde sua criação.

Foram coletados e reciclados 404 mil toneladas de pneus inservíveis em 2013, uma operação que se utiliza de 60 caminhões que rodam 824 pontos de coleta em todo o Brasil, representando mais de 3.500 rotas diferentes para a realização do trabalho. A soma desse esforço é ‘bancada’ pelos associados à ANIP e custou a soma de R$ 99 milhões no ano passado.

Desde 2009, as ações ambientalmente corretas empreendidas pela Reciclanip redundaram na coleta e destinação correta de 2,68 milhões de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a 536 milhões de pneus de passeio. Até agora o setor investiu R$ 551 milhões para a realização desse trabalho.

“A previsão é de investimentos de mais R$ 99 milhões neste ano”, destaca Mayer ao apresentar dados que mostram que a indústria de pneus vem superando suas metas de coleta e destinação correta de pneus inservíveis, junto ao Ibama, desde 2009/2010.

“Nos relatórios de 2009 e 2010 superamos nossa meta ao atingir 105,9% do proposto ao Ibama. Em 2011 atingimos 101,8% e em 2012 105,3%”, destacou o presidente executivo da entidade, ao destacar que os importadores não estão fazendo a sua parte.

“Veja que somos bi tributados por sermos eficientes. Há PIS e Cofins quando produzimos um pneu novo e há PIS e Cofins quando coletamos e destinamos ambientalmente de forma correta o pneu inservível. Coletamos e destinamos os nossos pneus e os pneus que são importados, que pegamos em nossos pontos de coleta. O governo poderia dar ao menos um incentivo nesse aspecto, além de exigir que os importadores também cumpram suas metas e façam a destinação ambientalmente correta", disse.

A produção, por segmento

Em termos percentuais, o grande destaque da indústria brasileira de pneus em termos de produção ficou com o segmento de pneus industriais, usados por empilhadeiras, por exemplo, cuja produção saltou 53,9%, para 2,07 milhões de unidades no ano passado.

Na sequência, a produção de pneus para picapes e camionetes cresceu 20,7% (9,9 milhões de unidades), seguida pela produção de pneus para caminhões e ônibus (8,23 milhões de unidades e aumento de 15,2%).

Os pneus agrícolas, um dos setores que propiciou grande parte do desempenho da indústria de pneus em 2013, apresentaram expansão de 12,7% na produção, para 928 mil unidades, ante aumento de 6% no segmento de pneus de veículos de passeio, para 32,46 milhões de unidades.

No segmento de duas rodas a indústria brasileira fechou 2013 com 15,04 milhões de unidades, o que referenda uma expansão de 2,4%.

Segundo o presidente executivo da ANIP, Alberto Mayer, apenas dois segmentos registraram queda de produção: os pneus OTR (para construção e mineração) com -12,6%, para 103 mil unidades e os pneus para aviões, com recuo de 2,9%  na produção, para 53 mil unidades.

As vendas para montadoras cresceram 6,3%, saindo de 21,18 para 22,50 milhões de unidades entre 2012 e 2013.

Para este ano, o presidente executivo da ANIP estima um crescimento de 2,5% na produção de pneus. “Sabemos que nossa estimativa é maior que a da Anfavea, por exemplo, mas levamos em conta o mercado de reposição de pneus, que deve demandar mais pneus neste ano”, disse.

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