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Trocar os pneus. Como se faz isso? Compro 2, 4? Da mesma marca?

Técnico da Continental dá dicas para os consumidores

Na hora de trocar o pneu eu devo comprar quatro de uma vez ou apenas os dois da frente, ou dois de trás? Posso usar pneus de marcas diferentes, de medidas diferentes? Quem responde a essas e outras dúvidas ao consumidor é o gerente de assistência técnica da Continental Pneus no Brasil, Rafael Astolfi.

Mas antes que ele responda, a equipe da Transportepress.com quer fazer algumas considerações. A primeira grande questão, no caso, é saber quando se deve trocar os pneus de um carro. E a Continental responde: Pela legislação brasileira, os sulcos (desenhos que se encontram na banda de rodagem) não podem ter profundidade superior a 1,6 milímetros.

Pneu Contipowercontact é equipamento original de modelos da Nissan e Renault

Mas o que são sulcos? Os sulcos do pneu são os elementos-chave que garantem as boas respostas de dirigibilidade do seu carro. Complicou? Calma.

Quando um fabricante projeta um pneu, ele imagina uma arquitetura, para a banda de rodagem e os sulcos que comporão essa banda, de tal forma que esses desenhos ajudem a escoar a água – quando o carro trafega em ruas e pistas molhadas – ou com neve, por exemplo.

Esses canais também ajudam na melhor fixação/contato do pneu ao solo – ou do carro como um todo – e também são de grande importância em frenagens mais seguras, na manutenção da trajetória do veículo em curvas – leia-se estabilidade – e até mesmo na refrigeração do pneu como um todo. Sim, pneu esquenta em contato com o solo e precisa ser refrigerado.

Os sulcos são definidos de acordo com a aplicação que o pneu terá (e de acordo com a borracha sintética, polímeros e insumos que moldarão a sua forma e sua performance).

Um pneu de veículo off road – Jeep, por exemplo -, que vá rodar em estradas de terra, tem um sulco diferente – e, em geral, maior que o de um veículo de passeio que vá rodar na cidade. Um sulco de pneu de caminhão chega a ter 22 mm, por exemplo, porque rodará mais, levará mais carga, será mais exigido em sua vida útil que o pneu de passeio ou SUV, comparativamente falando.

Há, na construção dos sulcos, desenhos com gomos mais largos, para evitar a fixação de pedras, muito comum em pneus que trafegam em estradas de terra e lama. Imagine aqui um pneu de trator, grande, alto, largo, com sulcos bem distantes. Aqui os sulcos evitam pedras, lama e ajudam na tração do equipamento.

Leia mais sobre o tema e veja como a Michelin desenvolveu seu mais novo pneu de transportes no Brasil.

Em geral, as fabricantes de pneus adotam na confecção dos sulcos, algo denominado como TWI (Tread Wear Indicator ou indicador de desgaste do piso, em tradução simples). Trata-se de um filete ou saliência de borracha que fica na transversal da banda de rodagem e que serve para medir o desgaste do pneu.

Você pode não saber medir a profundidade do sulco, mas esse filete (ou saliência) de borracha ajuda a ter uma ideia visual da situação. Se o desgaste da banda de rodagem já estiver atingido a marca TWI é porque chegou a hora de trocar. Se já ‘comeu’ o TWI – e você nem enxerga mais esse indicador – é porque seus pneus estão pela hora da morte e, certamente, já dá para ver a carcaça aparecendo, o que é um crime – e, nesse caso, seu pneu pode, simplesmente, estourar.

E se não trocar?

Além de estar colocando em risco a sua vida e das pessoas que você transporta, está colocando em risco a vida das pessoas que estão ao seu redor. O pneu careca perde as características básicas de frenagem, estabilidade, pressão e aquaplanagem.

Se mesmo nessas condições você não tem consciência do risco ambulante em que se transformou – para si e para o outros – pode levar multa e cinco pontos na carteira, o que representa prejuízo ao bolso.

Agora voltemos ao gerente de assistência técnica da Continental Pneus no Brasil, Rafael Astolfi.

Posso utilizar pneus diferentes dos originais de fábrica?

Como regra geral é aconselhável utilizar pneus da mesma marca e modelo. Eles foram escolhidos como equipamento original pois auxiliam o veículo a entregar a sua melhor performance, diz o gerente.

Tradução: quando uma montadora faz um carro, muitas vezes ela integra equipes de engenharia de outras fábricas (de componentes) para que a performance desejada no papel se consolide como realidade. É muito comum uma montadora desenvolver o pneu do veículo dela em conjunto com uma empresa fabricante de pneus.

A Continental é uma delas. Exemplo recente é o fornecimento dos pneus ContiPowerContact e ContiCrossContact LX2 para o Nissan Kicks e para o Renault Captur.

Quando isso acontece, chamamos esse pneu de equipamento original. Ou seja, o pneu que veio com o seu carro zero km é o original que a fabricante especificou. Na hora da troca, quando o TWI acusou menos de 1,6 mm, se você deseja trocar a marca dos pneus originais por outra, faça-o, mas priorize trocar os quatro de uma vez e não dois da marca A e dois da marca B. Porém, a recomendação, também aqui presente da Continental, é que se mantenha o pneu de marca original.

Observação: isso vale mais para quem tem carro de passeio -, quatro pneus e um estepe -, mas é diferente para um caminhoneiro com bitrem de 34 pneus, sem contar os estepes. Aqui, a lógica é usar a mesma marca de pneu pelo menos em cada eixo, mesmo assim, o recomendado é usar sempre uma marca só – e as medidas especificadas pelo fabricante.

Segundo Rafael Astolfi, “o uso de pneus idênticos em todas as posições garante o melhor controle e estabilidade. Vale lembrar ainda que pneus runflat também não podem rodar em parceria com modelos comuns”, alerta. Isso realmente é uma bela dica.

“Cada pneu tem suas próprias características e entrega níveis de performance distintos em conforto, frenagem e dirigibilidade no seco e no molhado”, diz. Uma dica muito importante é: “Não se pode misturar pneus novos e usados em um mesmo eixo”.

Como escolher um pneu para reposição?

O perfil do motorista, do veículo e a aplicação que o pneu terá – aonde vai rodar (terra, asfalto, molhado, seco) ajuda muito a definir isso. A qualidade do piso, rua, estrada também. Há localidades no Brasil em que o asfalto é muitíssimo abrasivo e o desgaste do pneu muito acentuado. Nessas condições, um pneu que deveria durar 60 mil km não chega a 40 mil km e, ai você fica bravo, acha que é defeito de fábrica…… é o asfalto ruim que a prefeitura da sua cidade não arruma – porque o IPVA que ela recolheu, exatamente, para esse fim foi direcionado para comprar peteca, por exemplo – ou outras coisas do gênero, menos asfalto.

Há situações em que o pneu que veio de fábrica não tem o mesmo efeito sobre a suspensão que um pneu importado equivalente resulta quando você o coloca em seu carro.

Há situações em que o dono do veículo não está nem um pouco preocupado e nem sabe a marca do pneu do carro. O que ele quer é preço e ai vai no supermercado e compra qualquer coisa e qualquer coisa ele compra.

O consumidor deve ter em mente que desde de 29 de outubro de 2016 o mercado brasileiro de pneus passou a vender produtos baseados no sistema de etiquetagem como métricas de qualidade e segurança.

Todo pneu de passeio, SUV, picape, caminhão e ônibus vendido no mercado de reposição tem que apresentar uma etiqueta de performance. Essa etiqueta exibe notas de desempenho em três quesitos: resistência ao rolamento, aderência em pista molhada e poluição sonora.

O desempenho de cada pneu é medido por empresas e institutos especializados e fiscalizados pelo INMETRO. E esse desempenho é medido em letras que vão de A a G, sendo que um pneu com identificação A é melhor (e, em geral, mais caro) que um G. Mas tenha certeza absoluta que em termos de pneus, o barato sai caro e o caro sai barato.

Testes feitos na Europa, que usa o mesmo padrão de etiquetagem do Brasil, mostram que um pneu A comparado a um pneu G pode economizar 7,5% em combustível, frear o veículo em até 20 metros menos e produzir menos poluição sonora. Ou seja, ajuda no seu bolsa, na sua segurança e na dos outros e beneficia a natureza.

Em geral, o pneu que equipa o seu carro zero levou essas questões em consideração e, por isso, manter a marca do pneu original é uma boa recomendação. Porém, cada motorista tem um estilo de dirigir, cada carro tem uma aplicação – viagem, andar na terra, andar em asfalto bom, ruim, mais ou menos abrasivo, regiões onde se chove mais, ou menos – mas olhar a etiqueta do pneu que vai comprar e comparar com outras etiquetas, de outros pneus, também é um exercício saudável e recomendável.

“É fundamental respeitar a medida e os índices de carga e velocidade demandadas pelo veículo, optando por pneus com índices iguais ou superiores aos originais. A legislação brasileira não permite alteração do diâmetro total do pneu e, por isso, é preciso atentar a esse detalhe no momento da troca”, diz Astolfi. Concordamos.

Trocar apenas dois ou quatro pneus?

Trocar os quatro de uma vez é o recomendável, diz Rafael, mas às vezes, problemas na geometria da suspensão do veículo, uso de medidas diferentes em cada eixo, falta de manutenção e estilo de direção ocasionam o desgaste mais acentuado de um ou outro pneu.

“Ao optar por trocar apenas dois pneus, eles sempre devem ser montados no eixo traseiro, responsável pela estabilidade”, diz Rafael. “Pneus gastos na traseira oferecem menor tração e resistência à aquaplanagem e isso pode resultar em perda de aderência em pista molhada, fazendo o veículo sambar de um lado para o outro sem controle”, diz.

“Por preferências pessoais de desempenho e dirigibilidade, no momento da substituição muitos consumidores optam por pneus de outra marca ou modelo”, aponta o gerente da Continental.

“Nesse caso, é essencial que ele leve em consideração as demandas e o tipo de aplicação, respeitando a regra de colocação de pneus iguais no mesmo eixo do automóvel. E não apenas de modelos iguais, mas com as mesmas condições de desgaste. Não se pode misturar pneus novos e usados em um mesmo eixo”, reforça Astolfi.

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